Prezados(as),
A realização do XV ENCAT – Encontro de Catálise do Norte, Nordeste e Centro-Oeste 2026, de 12 a 14 de agosto, em Salvador/BA, chega em um momento particularmente simbólico para a ciência e para o país. Sob o tema “Catálise e construção de pontes científicas para a economia circular no Brasil”, o evento se propõe a ir além da troca de resultados acadêmicos, atuando como um verdadeiro catalisador de conexões entre grupos de pesquisa e setores produtivos voltados à sustentabilidade. Assim como em um processo catalítico bem desenhado, no qual caminhos reacionais mais eficientes são abertos, o ENCAT se coloca como espaço para encurtar distâncias, reduzir barreiras e acelerar a transição para uma economia mais circular, regenerativa e de baixo impacto ambiental.
Essa metáfora das “pontes científicas” ganha ainda mais força quando inserida no contexto da própria cidade de Salvador, que se prepara para abrigar a maior ponte da América Latina, ligando a capital baiana ao município de Itaparica. O projeto da Ponte Salvador–Itaparica, com cerca de 12 quilômetros de extensão apenas no trecho sobre o mar e mais de 20 quilômetros considerando os acessos, representa um marco de infraestrutura, integração regional e reconfiguração de fluxos econômicos e sociais na Bahia e no Nordeste. Assim como essa grande obra física encurta distâncias e redesenha trajetórias, o XV ENCAT pretende se constituir como uma ponte intelectual de grande porte, conectando pesquisadores experientes e jovens cientistas, universidades e indústria, conhecimento fundamental e aplicações tecnológicas voltadas à economia circular.
O local escolhido para sediar o encontro – o histórico edifício do antigo Colégio Marista do Canela, atual Reitoria do IFBA – amplia ainda mais essa rede de significados. Implantado em um conjunto arquitetônico clássico da educação conventual, inspirado em modelos europeus de ensino religioso dos séculos XIX e início do XX, o espaço não é apenas cenário, mas parte ativa da narrativa do evento. Sua organização espacial pode ser lida como uma verdadeira metáfora arquitetônica da catálise: diferentes ambientes funcionam como “sítios ativos” de formação, transformação e difusão do conhecimento, onde estrutura e função se entrelaçam para gerar resultados de maior impacto.
A capela representa o domínio da reflexão e da ativação intelectual, momento em que a ciência se inicia no plano conceitual, nas hipóteses concebidas e nos mecanismos imaginados. Na etapa elementar de uma reação catalítica, é o espaço onde a energia potencial do conhecimento é direcionada.
O pátio e as áreas verdes de convivência, por sua vez, constituem o domínio da interação. Promovem o “transporte de massa e de calor” por meio de encontros e trocas. É nesse ambiente que ideias colidem, se combinam e evoluem, analogamente às superfícies catalíticas onde espécies reativas interagem.
O auditório, inserido como camada contemporânea do conjunto, representa o estágio de consolidação do conhecimento. É o espaço onde os resultados são apresentados, discutidos e validados pela comunidade científica, equivalente ao momento em que os produtos de uma reação deixam o sítio catalítico para serem utilizados em benefício da sociedade.
Escolher o edifício do IFBA para o XV ENCAT Norte-Nordeste 2026, portanto, não é uma decisão meramente logística, mas uma afirmação simbólica da forma como desejamos construir ciência: em ambientes que favoreçam simultaneamente a reflexão profunda, a interação intensa e a disseminação rigorosa do conhecimento.
A presença de um patrimônio histórico adaptado ao ensino tecnológico contemporâneo reforça a ideia de que tradição e inovação não são extremos opostos, mas faces complementares de uma mesma estrutura – exatamente como na catálise heterogênea, em que a configuração do suporte, a natureza dos sítios ativos e a dinâmica das espécies adsorvidas determinam a eficiência do processo.
Assim, Salvador, com sua futura maior ponte da América Latina, e o IFBA, com seu edifício histórico dedicado ao conhecimento, tornam-se cenário e metáfora de um mesmo movimento: conectar margens, encurtar distâncias e criar caminhos mais sustentáveis.
O XV ENCAT Norte-Nordeste 2026 convida todos a participar dessa construção coletiva, em que cada apresentação, cada conversa de corredor e cada encontro fortuito podem funcionar como um passo elementar de um grande mecanismo catalítico em direção a um Brasil mais circular, inovador e integrado.

